O ar-condicionado automotivo era considerado item de luxo há alguns anos no Brasil, disponível como opcional em carros de entrada. Com o passar dos anos e o amadurecimento do nosso mercado, hoje o equipamento está disponível na grande maioria dos carros zero-quilômetro vendidos no país, inclusive em versões "de firma", para frotistas.

Além de proporcionar mais conforto aos ocupantes, ajustando a temperatura da cabine em um nível agradável, o ar-condicionado é exigido pelos consumidores por ser considerado um equipamento de segurança, evitando rodar com os vidros abertos e evitando a exposição a assaltos nos centros urbanos.

Acionado pela correia do motor na maioria dos modelos, o sistema de climatização naturalmente "rouba" alguma potência do veículo (de 5% a 10% e também eleva o consumo de combustível, mas o avanço da tecnologia, com o uso de compressor que não precisa estar o tempo todo ligado e outros recursos, já minimizaram bastante o problema. Isso, associado a motores mais potentes e eficientes, já não faz o ar-condicionado afetar como antes o desempenho em carros 1.0. Além disso, modelos mais sofisticados trazem ajuste automático da temperatura e ligam a recirculação ao detectarem a entrada de ar externo de má qualidade.

Seja um equipamento mais simples ou mais moderno, o ar-condicionado requer alguns cuidados para você tirar o máximo dele e não gastar combustível sem necessidade. A manutenção é fundamental, como você confere abaixo nas cinco dicas de especialistas.

1 - Fique de olho nos filtros

Automóveis equipados com ar-condicionado trazem um filtro para evitar a entrada de partículas como poeira e polén, além de microorganismos como bactérias e fungos, provenientes do ar externo e também na recirculação. Esses filtros precisam ser limpos devem ser limpos ou trocados em prazos regulares, dependendo do fabricante - a informação está presente no manual do veículo. Eduardo Pinto, supervisor de Engenharia de Climatização da Ford América do Sul, recomenda a troca ou a cada 20 mil km ou dois anos, o que vencer antes - o prazo cai para metade com o uso intenso em estradas de terra, por exemplo.

"Filtro sujo afeta a eficiência do ar-condicionado, por estar saturado e reter a circulação do ar, além de roubar mais potência do motor, responsável por acionar o compressor, elevando também o consumo de combustível", alerta Ricardo Takahira, engenheiro e membro da Comissão de Veículos Elétricos da SAE Brasil. O especialista informa que todo o carro tem filtro na tomada de ar externa e também pode trazer outro específico para a cabine. Além disso, modelos mais sofisticados têm, além da filtragem antipólen, estrutura com carvão ativado, para evitar entrada de gases da exaustão, ozônio e outros microorganismos que podem causar mau cheiro - e doenças respiratórias - na cabine.

Takahira alerta para evitar a limpeza do filtro com ar-comprimido, cuja força é capaz de danificar e até causar furos no componente, prejudicando sua eficiência - o ideal é sacudir a peça e dar batidas para cair a sujeira em excesso.

2 - Evite a proliferação de fungos e bactérias

A umidade excessiva provocada pela condensação do ar frio nas tubulações do ar-condicionado é a maior responsável pela proliferação de microorganismos prejudiciais à saúde e causadores de mau cheiro. Um cuidado simples que ajuda a evitar o problema é desativar a climatização pouco antes de desligar o motor. "Alguns minutos antes de estacionar, desligue o ar-condicionado e ajuste a ventilação no nível máximo para remover a umidade e aquecer o ar.

Muitas concessionárias e empresas especializadas oferecem o serviço de higienização das tubulações do ar, e da cabine, utilizando equipamento e produto para eliminar os microorganismos e o mau cheiro, um serviço que custa entre R$ 150 e R$ 300, aproximadamente. A franquia Top SPaCar, por exemplo, oferece o serviço, cuja eficácia é depois testada usando um equipamento patenteado pela marca apelidado de "acarômetro" (foto acima) - que mede a quantidade de micróbios no interior do veículo antes e depois da higienização, feita após a troca do filtro, com o ar recirculando e com as janelas e portas fechadas. A recomendação é que o serviço seja feito a cada seis meses.

3 - Confira as condições da correia e as vedações das portas

O especialista Takahira recomenda checar o encaixe dos vidros e as condições de vedação das borrachas das portas, além de eventuais furos na tubulação, que reduzem a eficiência do equipamento e aumentam o gasto de combustível. Também não deixe de verificar o estado da correia de acessórios, também conhecida como Poly-V, que se conecta ao motor e aciona o compressor do ar-condicionado. Ela deve ser trocada a cada 60 mil km, em média, dependendo do automóvel. Se for rompida, não desliga apenas a climatização, mas sistemas essenciais como alternador, bomba d'água e direção hidráulica.

4 - Use o equipamento de forma inteligente

Nunca rode com as janelas abertas e o ar ligado, para não gastar combustível à toa. Outra dica de Ricardo Takahira para reduzir o consumo e fazer a cabine gelar mais rápido em dias quentes é rodar alguns minutos com as janelas abertas antes de ligar a climatização. "O ar que entra no veículo já ajuda a diminuir a temperatura interna em alguns graus, tonando mais fácil a missão do ar-condicionado quando ele for ativado e as janelas, fechadas", ensina o engenheiro da SAE Brasil.

Além disso, Takahira recomenda não rodar o tempo todo com a temperatura mínima e o ar no nível máximo, isso em automóveis sem ar automático, que ajusta a temperatura selecionada por conta própria. "Assim que o sistema atingir o conforto térmico, selecione uma temperatura mediana, apenas para manter o conforto. Isso previne gastar combustível - e força do motor, em carros menos potentes - sem necessidade", destaca.

O ar-condicionado automotivo era considerado item de luxo há alguns anos no Brasil, disponível como opcional em carros de entrada. Com o passar dos anos e o amadurecimento do nosso mercado, hoje o equipamento está disponível na grande maioria dos carros zero-quilômetro vendidos no país, inclusive em versões "de firma", para frotistas.

Além de proporcionar mais conforto aos ocupantes, ajustando a temperatura da cabine em um nível agradável, o ar-condicionado é exigido pelos consumidores por ser considerado um equipamento de segurança, evitando rodar com os vidros abertos e evitando a exposição a assaltos nos centros urbanos.

5 - Acione a recirculação com cuidado

Carros mais modernos trazem sensores que detectam entrada de ar externo de má qualidade e automaticamente acionam a recirculação. Também fazem o contrário: ao detectarem níveis elevados de CO2 (dióxido de carbono) resultante da respiração dos ocupantes, voltam a usar o ar externo. Em carros mais simples, a recirculação é ligada ou desligada manualmente, portanto é preciso ter cuidado. "Com apenas o ar interno circulando, o ar gela mais rapidamente e o compressor é menos exigido. Porém, especialmente em viagens mais longas, a recirculação deve ser desativada após algum tempo, de forma a renovar o ar da cabine com oxigênio", destaca Ricardo Takahira. A redução nos níveis adequados de oxigênio pode causar sonolência e dor de cabeça.

VIA: WM1

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5 CUIDADOS PARA TIRAR O MÁXIMO DO AR-CONDICIONADO